Para articular sobre o tema 'empobrecimento da subjetividade', considero primordial que nos questionemos como no filme 'Quem somos nós': Por que recriamos sempre a mesma realidade?
Para responder a esta pergunta considero a idéia da falta de controle no que tange responsabilizarmos todo o externo o empoderamento da saúde do indivíduo, seja física ou psíquica.
Somos produtos de uma longa evolução e ao analisá-la faço uma releitura do conceito de saúde encarando-o como uma dicotomia entre construção científica e desconstrução psíquica, de saberes acumulados nos anos de presença do ser humano no planeta.
Compreendo que existe a necessidade de abandonar a unilateralidade do pensamento e encarar a realidade como algo muito mais complexo do que o que a ciência moderna tenta nos convencer.
Quando falamos em 'empobrecimento da subjetividade', falamos de um mundo 'pronto e hermético' no qual independem escolhas individuais e, acatar isso como verdade é o mesmo que rejeitar qualquer hipótese de consciência, o que provavelmente acarretaria uma loucura social; um colapso. E como reagimos a isso? Passivos? O que é esse 'vazio depressivo' senão essa loucura social?
Nossa sociedade se apresenta anestesiada, sem paixão ou sequer questionamentos e nós, membros dessa sociedade, não podemos cogitar a possibilidade de expressão do sofrimento em detrimento de apresentarmo-nos como fracos ou incapazes, e assim seguimos na tentativa de sucesso incondicional sem antes mesmos perceber como isso repercute em nós, todavia, sem nos dar conta de que não suportamos o modelo hermético e acabamos por buscar estímulos cada vez mais intensos para nos sentir livres e vivos, bailando assim numa ciranda da heteronomia, esquecendo-nos da nossa autonomia; que somos seres únicos com infinitas possibilidades.
Obviamente, a autonomia não ocorre de uma hora para a outra. Ela é decorrente da prática que deve acontecer desde o nosso nascimento e durante todo o processo de vida. Mas, como atingi-la sem a consciência de quem somos e o que queremos? Uma vez que "o ambiente técnico cresceu até se converter em uma nova natureza: a cidade, o urbano, o artificial se estenderam por toda a superfície do planeta, tornando-se o meio 'natural' em que os seres humanos vivem e são produzidos (Sibilia)".
Talvez um dia possamos sair deste 'empobrecimento da subjetividade' quando nos dermos à oportunidade de questionamento de: Para quê (?) sofremos, alcançando assim um nível mais elevado do que realmente nos constitui e compõe como indivíduos, mergulhando na própria experiência de estarmos vivos.
E, para reinventar a vida vamos precisar, sem dúvida alguma, de disponibilidade de acesso a tudo aquilo que nos constitui como indivíduo: nossas emoções, sensações, sentimentos, intuições, idéias, informações, formações, etc.
Neste acesso não podemos descartar aspectos individuais, sociais e genéticos (espécie), vendo a sociedade como uma complexidade de sujeitos humanos, que cada vez mais buscam uma forma singular de ser, cabendo também desenvolver uma ética e uma autonomia pessoal, além de desenvolver a participação social, ou seja, a participação do gênero humano.
É preciso restaurar critérios de observação onde o observador é parte integrante do todo e, assim promover a integração de valores nucleares (dada por nós mesmos através do autoconhecimento) que priorize as incertezas, na ideologia de sair do hermético.
É importante orientar e guiar a tomada de consciência social para que nós indivíduos da sociedade possamos exercer nossa responsabilidade como ser holográfico (contido neste social).
Penso que precisamos abandonar a concepção fragmentada, dividida do mundo, q |